É o M.D - A tribo acompanhando o carnaval do Porto Digital!
O carnaval e os estados físicos da matéria
O sol estava a pino na Cidade do Recife na última quinta feira, três de março, quando o Porto Digital abriu os portões para receber as primeiras personagens de seu notável desfile de carnaval. Meio tímidos, os estudantes que se aglomeravam no pátio embarcavam no que parecia ser uma máquina saída da ficção, onde se entrava aluno e alegoricamente saía-se folião. Eis a mágica carnavalesca que não se gastou com o tempo, a de igualar todos, mulheres, homens, alunos, professores e agregados (como eu) numa classe indistinta.
E como estou falando de transformação, sou tomado de súbito por um termo que a memória resgata das aulas de química ministradas por Diogo Santana lá em 2007, sublimação. Em princípio é meio estranho entender o porquê de uma palavra tão emblemática compor esta memória carnavalesca, mas já explico. Recordo-me muito ter ouvido sobre substâncias químicas que rearranjam suas partículas de forma brusca até alcançar uma organização física favorável às condições atmosféricas em que elas se inserem, por isso, quando vi os meninos que rotineiramente se põem de jeans e camiseta saírem do banheiro de saia e peruca loira, dei conta de que a iminência do carnaval é um estado de oscilação atmosférica dos mais poderosos. Não posso deixar de ressaltar que também sofri uma metamorfose, bem mais discreta, é claro, passei de Introspectus expectadoris ocularis a Folionis expectadoris fotografis. Mas nada de sustos, afinal, como toda boa transformação física a composição molecular continua invariável. Logo, está tudo onde deveria estar!
Entretanto se tem algo que não causa estranhamento nesta mistura inusitada entre a física e o carnaval é o fato de essas figuras maquiadas e cheias de brilho terem tomado as ruas da cidade como passarela para o seu charme discutível. Isto porque o PD tem o costume de abrir o berreiro e se espalhar. Senso comum. Mas não estávamos sós, uma turba acertou o passo e caiu no frevo junto com a nossa galera transmutada em direção à Praça do Marco Zero.
Assim, encouraçado pelo carnaval, eu fui à frente do grande bloco procurando, em meio ao mar de fantasiados, as celebridades da tribo Porto Digital. Foi quando ouvi ecoar lá do fundão: Lady Gaga! Minha reação foi instantânea, corri para obter meu furo de reportagem. Quando alcancei o burburinho, vi que não se tratava de Gaga, mas da Madonna. Tá, não era a original de “Like a virgen”, mas quem nunca se rendeu à pirataria que atire a primeira pedra. Se foi coincidência de carnaval eu não sei, o fato é que Madonna, a cantora que se reinventa a cada feito, emergiu no carnaval do Recife na pele de um jovem saído da máquina de física maluca que Momo instituiu no Porto Digital.
Agora tenho ânsia de ver quais surpresas que me separam a festa da alegria em 2012. Por hora, sei que o carnaval vai sempre manter esta rica tradição de fazer todas as pessoas iguais sob a ordem do riso e da liberdade; essa liberdade onírica que me fez repórter fotográfico da rainha da música pop durante algumas horas de magia. Quanto às mudanças de estado físico da matéria... Essas estarão sempre atuantes na festa carnavalesca.
Deyvson Pereira



