Espaço Crônica

quarta-feira, 8 de junho de 2011



Um cheiro de amor


E eis que o amor subiu à atmosfera como o arrebol de perfumes que embalou o leito de morte da morena Isabel no Guarani. Não há dúvidas de que se trata do dia dos namorados batendo às portas dos casais apaixonados. Este é aquele período do ano em que geralmente as pessoas ficam mais sensíveis, mais românticas, vivendo a simples (não simplória) expectativa de receber um olhar diferenciado, uma dose violenta de arrepio extraída de beijos apaixonados ou de sentir o pulsar de um coração a estremecer o peito. Sentimentos castos como só o berço das virgens é.

É o reinado dos namorados, dos amantes, dos ficantes, dos pretendentes. Todos esses “ntes” que nós conhecemos muito bem! Nesses dias, é bom não criticar se a sua mãe solteira escuta Paula Fernandes (versão atualizada de Wando) o dia inteiro ou se seus amigos te convidam para dar opinião na lingerie a ser comprada (não estou brincando, não! Isso acontece). Há de se perdoar, afinal é o amor e amor tem dessas coisas constrangedoras.

Eu também sempre fiquei muito louco nesses períodos, vocês já sabem de minha timidez, e por isso meus romances sempre foram todos visuais, restritos a longos e fiadores olhares mesmo (acho que não deveria contar isso aqui!). No Porto Digital, eu era sempre aquele que usurpava o presente alheio, fosse a pelúcia de “Bixu” (Carol) ou o chocolate do povão. Muito triste isso!

Nessa data em 2007, lembro-me ainda hoje, havia uma rádio no PD e os organizadores tocaram aquelas músicas “legais” e fizeram uma espécie de correio do amor, o que foi, depois, adaptado para um mural onde a galerinha do mal deixava um pedacinho de papel com as suas mensagens para que, em seguida, todo mundo saísse a  procurar na caixinha da turma os bilhetinhos que estavam em seu nome.
Eu adorava esse mural, porque meus amigos saiam com as mãos fartas de papel no momento em que eu ainda analisava com maior precisão a caixa para saber se os meus tinham caído por um furo que, talvez por tão pequeno, ninguém tivesse visto. Por que eu ainda estou falando disso?

Enfim, o dia dos namorados é realmente uma data muito linda. Vocês conhecem a história??? Pelo que sei, havia um frei, um bispo, um padre (eu realmente não conheço a hierarquia católica) que realizava casamentos num período em que tal celebração era proibida por ordem de Cláudio II, um imperador romano que intentava agrupar a maior quantidade de homens solteiros que pudesse para compor seu exército. Além de descumprir a ordem direta do imperador, esse cristão apaixonou-se e casou com uma moça que conhecera por intermédio de um carcereiro da prisão onde cumpria pena pela desobediência.

Infelizmente o “bispo” foi assassinado, mas não antes de receber de jovens apaixonados rosas e cartões em sua cela com anúncios declarando o triunfo do amor. Na realidade isso é que importa: O TRIUNFO DO AMOR, mesmo que seja pelo tempo de um simples olhar numa sala de aula ou da biblioteca, ou enquanto durar o seu aroma espalhado livremente na atmosfera.

Deyvson Pereira


"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

                                (Vinícius de Moraes)






3 comentários:

Jonatas Marques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
john disse...

é nesses dias que o bolso pesa KKKKK"

Deyvson disse...

rsrsr!!! galera, tenham fé no velho ditado: é dando que se recebe!!!