"Eu tenho uma teoria: muitos têm força, mas poucos cortam cana"
O Memórias Digitais – A tribo celebra a possibilidade de mostrar para todos os seus seguidores e amigos visitantes um pouco da trajetória de sucesso profissional que o jovem Reuel Gomes da Silva de 18 anos está trilhando na música clássica. Reuel, que foi aluno do Porto Digital de 2008 a 2010 e, por diversas vezes nesse período, nos encantou com suas apresentações de violino repletas de emoção, passa por um momento de amadurecimento e experimentação no que diz respeito a sua arte: a música. Isso porque nesse ano de 2011 o jovem tem participado de uma série de concertos e apresentações públicas como componente da Orquestra Sinfônica Jovem formada por estudantes do Conservatório pernambucano de Música – instituição que é referência na área musical para quem pretende seguir na carreira artística.
Reuel, sempre constante nos estudos de música, já teve passagem nos cursos ofertados pela Mimo (Mostra Internacional de Música em Olinda) nos anos de 2009 e 2010, no projeto de intercâmbio organizado pela Expressart Orquestra no mesmo período e hoje faz parte do quadro de alunos da Universidade Federal de Pernambuco no curso de licenciatura em música (tendo alcançado uma nota superior a 7, 300 no vestibular 2011, o primeiro a que o artista se submeteu).
Reuel, leitor ávido de Pais brilhantes – professores fascinantes (2003) do escritor brasileiro Augusto Cury, aceitou o convite do M.D. – A tribo para falar-nos um pouco sobre música, Porto Digital e expectativas para o futuro.
Vamos à entrevista:
Reuel: Eu sou de gêmeos e acredito que o mundo está em equilíbrio com o universo, mas eu acredito que as estrelas influenciam menos a minha vida do que a Rede Globo! Eu realmente acredito em muitas coisas. Por exemplo, eu era evangélico, ou sou ainda. Eu não sei ao certo. Mas eu não sou mais de seguir nenhum método específico, como os círculos religiosos onde as pessoas se juntam para falar muito e viver pouco. E hoje eu sinto que eu transcendi isso.
MD – A tribo: E como começou a tua história na música, quem chegou a quem?
Reuel: Quando eu era pequeno, não tinha televisão na minha casa, só um rádio que minha mãe adorava ligar para nós ouvirmos e eu aproveitava para cantar as músicas que eu ouvia no meu círculo religioso, então eu sempre gostei de música. Mas uma vez eu tive uma frustração, porque eu recebi ma oportunidade de cantar no meu círculo e eu cantei uma música espanhola da qual eu não sabia a letra. Isso me traumatizou! E então, recuperado do trauma eu entrei num projeto comunitário que não deu muito certo para estudar música, um pouco depois, quando eu estava caminhando nas ruas do bairro, uma amiga me convidou para entrar num cursinho de flauta doce e como eu não tinha nenhuma ocupação naquele momento eu embarquei de cabeça. Lá nesse projeto, eu conheci uma professora que tocava sax que me convidou a participar de uma ONG que ensinava instrumentos de sopro, mas eu não me dei muito bem, devido a alguns problemas respiratórios. Foi lá que eu vi o ensaio de uma turma de violino e me apaixonei tanto pelo instrumento, quanto por uma garota que pouco tempo depois eu namorei.
MD – A tribo: Como tu chamas o que fazes?
Reuel: Libertação. Eu tenho a impressão de que eu me liberto pela música. Ela me ajuda, inclusive, a quebrar tabus, eu hoje posso dizer que terminei algo na minha vida com a leitura de Pais brilhantes, professores fascinantes.
MD – A tribo: Reuel, como anda a tua vida hoje enquanto estudante de música?
Reuel: Hoje eu faço parte da Orquestra Sinfônica Jovem e estou me apresentando em vários projetos, por exemplo, nós já tocamos no Circuito das Igrejas e estamos trabalhando num projeto que visa a homenagear o maestro e compositor Clóvis Pereira...o projeto é chamado de Pernambuco Sinfônico. Esse repertório teve início em junho e será encerrado em agosto. Além disso, estamos nos preparando para fazer a abertura do Circuito Sinfônico da orquestra, onde tocaremos peças de Beethoven, Mendelssohn, Mozart, entre outros.
MD – A tribo: Reuel, e com relação à grande difusão da cultura pop, você acha que num futuro próximo ainda haverá espaço para trabalhos de orquestras como a que você atua e, dessa forma, uma aproximação do que hoje se considera cultura de massa e cultura erudita ou essa diferença perdurará?
Reuel: A musica em que se baseiam os estudos hoje, ou seja, a erudição é mais libertária, transcende o que as pessoas chamam de erudito. Eu acho que a sociedade está começando a internalizar uma série de educações que não foram internalizadas antes ou que foram extintas, por exemplo, o sentir a música. Algumas pessoas criticam os americanos como “máquinas” pela larga escala de produção, e eu não estou totalmente de acordo com essa visão, porque a maneira como os americanos criam os faz aprender... eles sentem...e eles aprendem a sentir. Nós podemos tomar o exemplo do expressionismo abstrato, onde as pessoas pararam de se preocupar com a técnica e passaram a produzir por sentimento, ou melhor, criando técnicas novas.
MD – A tribo: Frase de Twitter: “Não tenho ninguém especial. Tenho na minha sapateira livros e nas minhas caixas sonhos”. Explique.
Reuel: Na verdade, eu super valorizo as pessoas. E um dia um amigo me ensinou que nós temos varias moedas, ou seja, sentimentos e que as pessoas são cofres. Eu, às vezes, faço depósitos errados e as pessoas simplesmente vão embora levando os meus sentimentos. Pessoas que muitas vezes só deveriam estar com um sentimento passageiro.
MD – A tribo: Reuel, hoje todos contam histórias, mas o que há de diferente nas tuas?
Reuel: Não sei... Eu sempre fui uma pessoa que não aceitou tudo de “primeira”, como uma imposição. Talvez isso seja um traço diferente na minha história. Estou em processo de descoberta ainda.
MD – A tribo: Então, essa é a parte mais esperada. Como conceituar o Porto Digital?
Reuel: Eu acho que o PD foi uma das minhas primeiras libertações. Até chegar lá, eu estudei oito anos numa escola que não era tão legal. Eu sofria bullying lá, mas superei. E quando surgiu o Pd eu disse ao meu pai que era lá que eu gostaria de estudar, mesmo ele sendo contra. Lá no Pd eu ganhei um amigo extremamente importante na minha vida até hoje, que foi Oscar. Eu encontrei professores incríveis que me ensinaram a sonhar, um deles e que tem fundamental importância foi o professor Walter, que me ensinou muito com nossas “intrigas” – de brincadeirinha. É importante que seja falado o quanto ele me ajudou a crescer.
Aproveite a situação para:
a) Fazer autoelogios e passar seu telefone (arque com os trotes);
b) Declarar algo inusitado (de preferência constrangedor);
c) Chamar um palavrão (esternocleidomastoideo está valendo);
d) Confessar um pecado.
b) “Uma vez eu fui fazer o encerramento de uma peça para uma plateia lotada e bem no meio de minha apresentação a corda do meu violino arrebentou me deixando com a cara no chão”.
Reuel Gomes para Memórias Digitais - A tribo.
--X--
Nós da tribo aproveitamos esta postagem para agradecer aos nossos novos quatro amigos: Mariana, Oscar, Amanda e Eduardo. Sejam bem vindos!!!
Agradecemos também à participação de reuel nesse quadro novo do nosso blog. Valeu mesmo, Reuel !!!
E atenção, pois o dia do amigo está chegando e nós queremos mostrar a sua turma. Faça uma foto criativa junto com a sua galera e envie para deyvsonpereira@yahoo.com.br que nós a mostraremos aqui!!!
Até breve!
2 comentários:
Fiquei emociona lendo essa entrevista, Reuel é um exemplo de dedicação, a arte dele é feita de dom e de trabalho... Sou apaixonada!!!
Muito lindo esse meu sobrinho, e também consciente de seu papel na sociedade, seja feliz e farás o teu próximo sorrir.
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